Autenticidade: palavras mágicas e armaduras brilhantes na selva das redes sociais  | renata lemos

A autenticidade na comunicação é a nova receita infalível dos gurus para o sucesso absoluto nas redes sociais. Desde Brian Solis (Why Authenticity Matters?) a Armano (o novo slogan da Edelman é “Authentic Communications”); passando por Chris Brogan (Preserve your Authenticity) até Tara Hunt (The Whuffie Factor) – qualquer pessoa que tenha o menor vínculo com as redes sociais concorda em relação a um ponto: a comunicação autêntica é um requisito obrigatório nas redes sociais.

A autenticidade vai salvar o dia: é o “cavaleiro de armadura brilhante” nas redes sociais. Ser autêntico é bom para as marcas, para as organizações, para as pessoas. É bom pra ele, é bom pra ela, é bom pra mim e é bom pra você também. Ser autêntico é bom pro meio ambiente, para os negócios, para o mundo inteiro. É bom pra socialistas, capitalistas, e anarquistas. É bom pra ateus, católicos e é bom pra muçulmanos também. É bom pra multinacionais E é bom pras fazendinhas orgânicas locais.

Se todas as pessoas do mundo pudessem apenas ser autênticas – todas seriam bem sucedidas, viveriam em paz e felizes para sempre.

Desde que a autenticidade virou um capítulo fundamental no livro do manual operacional das redes sociais, estamos testemunhando a proliferação acelerada de guias de autenticidade, fórmulas de autenticidade, “projetos” e “sistemas” de autenticidade. Da mesma forma que a Gestão do Conhecimento se tornou o “abracadabra” dos anos zero, e o Design Thinking está a perigo de se tornar o “abracadabra” dos anos 10 (Venessa Miemis escreveu sobre isso aqui) – a autenticidade corre o risco de se tornar mais um destes “abracadabras” e perder o valor original e belo do termo: uma escolha moral e ética. Do jeito que está sendo apresentada nas redes sociais, a autenticidade perde todo o seu brilho e se torna um conceito vazio que é apenas mais um “passo” em uma série de instruções na fórmula da fama e do sucesso.

Mas autenticidade não tem nada a ver com fama nem com sucesso. Esperar que um assassino seja autêntico é esperar que ele queira ir pra cadeia. Você já entendeu o meu ponto.

O próprio fato de que o marketing e RP esteja de repente tão interessado na autenticidade como um conceito “novo” no contexto das redes sociais diz muito sobre essa área. Realmente é um atestado que confirma o diagnóstico: “pessoas do marketing, é melhor a gente parar com a enganação. as redes sociais são selvagens, nessa selva as pessoas sentem o cheiro da enganação de longe. é melhor a gente começar a ser autêntico” – o que é um mea culpa indireto que assume que o marketing, tradicionalmente, nunca foi autêntico ANTES das redes sociais. Se fosse, a autenticidade não precisaria estar sendo defendida, vendida, explicada e discutida como está sendo agora. O gospel da autenticidade nas redes sociais diz muito sobre o marketing tradicional. Está na cara de todos. Essa é a má notícia.

A boa notícia é que esse gospel está absolutamente CORRETO. As redes sociais são selvagens sim, e as pessoas sentem o cheiro da enganação de longe SIM. E isso pode ser o início de uma nova aurora de transparência e autenticidade nos negócios.

Eu digo amém. E você?

 

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