ter ou não ter guru nas redes sociais, eis a questão.

ter ou não ter guru nas redes sociais, eis a questão. há quem diga que todo mundo deve ser guru de si mesmo e desconfiar de todo e qualquer tipo de liderança; há quem diga que ter um guru (mentor, inspiração, ponto de referência, de parada, de partida, etc etc etc) é fundamental e até mesmo inevitável. entre as diversas opiniões, aqui damos a nossa.

para quê ter guru? para termos uma orientação, um rumo qualquer em um ambiente onde, deixados a nós mesmos, nos sentimos perdidos e desorientados, sem saber para que lado ir. para quê servem os gurus? para apontar caminhos por onde eles mesmos andaram antes de nós e nos contar histórias do que encontraram pelo caminho; para que nos descrevam a paisagem dos territórios por onde andaram, os lugares nos quais chegaram, e, principalmente, para que desenhem algum tipo de mapa que possa nos ajudar a chegar lá. gurus sabem de caminhos, de trilhas que podem levar a lugares mágicos e escondidos. gurus sabem onde existem despenhadeiros e pântanos perigosos, e podem nos ensinar caminhos alternativos onde possamos caminhar com maior segurança.

se gurus são tão bons assim, porque então tantas pessoas pregam o fim de todos os gurus? por causa do trauma gerado pela nossa história ocidental de líderes fajutos, egotistas, falsos, corruptos. “gurus” que nunca foram gurus no verdadeiro sentido da  palavra, mas sim sofistas e vendedores de jóias falsas, mapas adulterados, paisagens artificiais e destinos ilusórios. esses falsos “gurus” existem em todas as esferas e locais – do espiritual ao político; do econômico ao cultural; dentro e fora das redes sociais.

o nosso trauma ocidental em relação à liderança hierárquica tradicional está tão arraigado, que se transformou em extremo oposto: uma horizontalização exacerbada que nivela a tudo e todos em um mesmo denominador comum onde “somos todos iguais” e auto suficientes e não precisamos de ninguém a não ser de todos juntos e de uma só vez: nosso único mapa é o vagar sem rumo, ou melhor, não confiamos em mapa nenhum que não seja feito pela “wikimapas”. nosso novo “guru” é a mentalidade wiki: na rede colaborativa onde o individual desaparece, um valor soberano emerge no qual confiamos plenamente.

caríssimos, para quem gosta de maturana uma coisa é certa: a complexidade exige muito mais do que dualismos simples como este que coloca em oposição individualismo contra coletivismo. nem tanto ao céu, nem tanto ao chão: da mesma forma que existem belos e majestosos edifícios cuja demolição seria uma afronta ao patrimônio histórico da humanidade, assim também existem planícies e vales desérticos, onde não se encontra nenhum sinal de vida. adotar práticas horizontais e colaborativas não é garantia, per se, de melhor resultado.

jaron lanier[1], um dos pais da realidade virtual, acaba de lançar um livro manifesto (“you are not a gadget”) que traz justamente este argumento. ele diz:

“there’s a dominant dogma in the online culture of the moment that collectives make the best stuff, but it hasn’t proven to be true. the most sophisticated, influential and lucrative examples of computer code—like the page-rank algorithms in the top search engines or Adobe’s Flash— always turn out to be the results of proprietary development. indeed, the adored iPhone came out of what many regard as the most closed, tyrannically managed software-development shop on Earth. digital collectivism might seem participatory and democratic, but it’s painting us into a corner from which we will have to concoct an awkward escape”

para além dos gurus, o fato é que as topologias das redes sociais não são cartesianas. o abuso do poder nas hierarquias verticais não faz da não-hierarquia o modelo único e necessariamente melhor de organização social, mas sim nos desafia a formular alternativas. plurais. verdadeiramente plurais; que saibam unir lideranças naturais com coletividades auto-organizadas e auto-geridas. que saibam reverenciar com gratidão e respeito a sabedoria daqueles que sabem caminhos interessantes para nós e que podem nos mostrar e nos ajudar na nossa própria caminhada; ao mesmo tempo em que estimulem a independência e a coragem de trilharmos por nós mesmos nosso próprio caminho.

ohm namoh para todos os gurus verdadeiros. e um salve também para a independência das tribos wiki.

 

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