as redes sociais podem mudar o mundo sim.

 

 

ontem fui assistir @lucianopalma na Social Media Week SP. ele disse que as mídias sociais não mudam o mundo, mas apenas a forma como nos comunicamos. mais uma vez, dentre muitas outras abordagens das redes sociais, o foco foi o entendimento das mídias sociais como ferramentas, como se pudessem ser separadas das redes, essas sim feitas de pessoas falantes e vivas.

como já abordei anteriormente em meu post sobre o iPad, acredito que já não seja mais possível separar mídia de rede. acredito que a abordagem que considera tecnologia como uma esfera separada das teias humanas pertence ao século 20, e não mais ao século 21. a ferramenta não é mais algo que pode ser considerado como pertencendo a uma categoria separada do humano nesse momento da evolução da nossa espécie.

mais uma vez repito: um machado não definia ou afetava a identidade pessoal de um lenhador. mas o Twitter, por exemplo, definitivamente afeta, extende e define identidades pessoais. as mídias sociais não podem mais ser consideradas como ferramentas simples. elas são muito mais do que isso. elas são extensões e catalisadores diretos das membranas do tecido humano das nossas relações sociais e das nossas representações individuais de perfis e identidades. são espaços intersticiais, como bem define Lucia Santaella.

outra questão bastante discutida é o fato de que “redes sociais não são panacéia”. redes sociais não mudam o mundo. aqui, também, acredito que meu entendimento é diferente da maioria dos especialistas dessa área no Brasil. eu acredito que as redes sociais mudam o mundo sim. completamente. até que ponto acontecerá essa mudança, ainda é muito cedo para saber com certeza. mas uma coisa é certa: a mudança engendrada pelas redes sociais não altera apenas a forma das relações sociais, mas principalmente a lógica subjacente a estas relações, subvertendo a hierarquia (que é o princípio organizador das sociedades modernas e industriais). então estamos diante de um processo muito mais profundo do que um mero avanço nos meios de comunicação. estamos diante de uma mudança de paradigma social e cultural.

partindo desta premissa, podemos dizer sim que da mesma forma como o email alterou a face dos negócios e do planeta; também a dinâmica das redes e do netweaving irá alterar muita, muita coisa. o quanto e o quê, dependem, é claro, de nós. agora, o como está claro: uma transição na forma como vemos e representamos nossas expressões de valor e cultura está em curso. não sou só eu que estou dizendo isso. Barack Obama também disse isso: ou vocês acham que o lançamento da iniciativa mundial de governo 2.0 liderada por Hillary Clinton sinaliza o quê? sinaliza uma coisa apenas: crença no potencial das redes sociais de mudar o mundo, sim.

Tim O´Reilly também disse isso. ano passado ele fez um chamado para os desenvolvedores de mídias sociais para que parassem de perder tempo desenvolvendo aplicativos de joguinhos tóxicos para o facebook e ao invés desenvolvessem aplicativos voltados realmente para a inovação social.

nós podemos, sim, mudar o mundo através das redes sociais. gente inteligente como o time da Metacurrency.org, por exemplo, já está usando as redes sociais para desenvolver novos meios de geração e troca de riqueza nas redes, novas moedas digitais, independentes e livres da especulação e da instabilidade dos bancos tradicionais. milhares de outras iniciativas existem que demonstram todo o potencial das redes sociais para efetivamente mudar o mundo: fazer o design de novos tipos de relação econômica, política e cultural.

Só depende de nós.

 

 

 

 

 

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