redes sociais: estratégias, serendipidade e caos organizado /cc @augustodefranco

@augustodefranco tuitou recentemente sobre o conceito de estratégia nas redes sociais. segundo ele, a estratégia não é um conceito que se aplique ao universo fluido das redes sociais. fiquei pensando sobre isso, e apesar de concordar com ele em relação à estratégia entendida como manipulação, não concordo em relação à estratégia entendida como gerenciamento da atenção e do conteúdo.

assim como howard rheingold, acredito que a imensidade e a velocidade dos fluxos informacionais exigem de cada um de nós estratégias pessoais de diálogo, de leitura, seleção de streams e netweaving. caso não adotemos estratégias pessoais e conscientes de inserção social e seleção de fluxos informacionais, é certo que podemos perder muito tempo precioso nos distraindo andando de caiaque pelos córregos e regatos de nossas redes, indo parar sabe-se onde.

@robinsloan disse uma frase pelo twitter que eu considero sábia: “agora, todos nos tornamos estrategistas de mídia”. é preciso gerenciar fluxos de conteúdo. é preciso gerenciar o tempo e as dezenas de conversações paralelas que surgem em rede. contudo, não podemos fazer isso com antecedência, tendo em vista que não podemos prever quais serão as interações que irão surgir, nem mesmo prever qual será a grande novidade que poderá mudar a ordem de nossas prioridades, muito menos saber se aquele tweet de ontem causará polêmica hoje ou não. é preciso ser capaz de discernir e decidir em tempo real, e isto exige um certo tipo de estratégia pessoal de atenção.

não é que o conceito de estratégia não se aplica no contexto das redes sociais, mas sim que ele se altera nesse contexto. estratégias de dominação e conquista perdem completamente o sentido nas redes sociais; contudo, micro estratégias de design inteligente no entrelaçamento de conteúdos, no netweaving social e no gerenciamento da atenção são fundamentais nas redes.

o desafio é integrar a serendipidade e a surpresa, que sempre aparecem no caos da interação digital aberta, com a inteligência e a presença consciente da atenção direcionada para a estratégia de alcançar nossas metas e objetivos pessoais. o equilíbrio continua sendo a palavra chave para uma experiência caoticamente organizada dos fluxos digitais.

Comments
3 Responses to “redes sociais: estratégias, serendipidade e caos organizado /cc @augustodefranco”
  1. Anônimo disse:

    Oi Renata, ótimo post!Estamos em fase de transição. Isso demanda uma mudança de “mindset”, o que leva tempo. Leva tempo porque as pessoas foram condicionadas durante décadas a pensar de um certo modo: “Você tem que ter sucesso. Junto com o sucesso vem poder, portanto você tem que se preparar para o poder, então tem que ser um líder”. Acho impressionante essa mania que as pessoas têm – todo mundo tem que ser líder! Esse “mindset” não combina com redes, as peças não se encaixam.Em redes, todo mundo fornece e todo mundo consome. Não tem um elemento central que é dono da verdade (e da empresa). Muito menos “sub-donos” (diretores, gerentes, etc). Todo mundo tem cérebro, idéias e capacidade de ligá-las. Em determinado cenário, A liga idéias melhor do que B, mas em outro cenário, a situação se inverte. E as redes permitem que esse fluxo seja contínuo.A pergunta: Será que todo mundo quer isso? É possível que quem tenha o “poder” hoje, não queira mudar o status quo. E imagino que muitos que sonham com o poder também se oponham a uma mudança. Leva tempo…

  2. . disse:

    obrigada, luciano. sabe que umair haque (@umairh) dedicou vários posts na sua coluna edge economy à questão da liderança como um conceito “obsoleto” – ao invés de leadership ele sugere o termo buildership… que é uma outra postura, que eu chamaria, ao invés, simplesmente de dança – de liderança para dança… mas até lá leva tempo… vamos seguindo.um abraço, e obrigada pelo comentário.

  3. Anônimo disse:

    Olá Renata,Na sexta-feira compareci a um debate no Campus Party, onde o @augustodefranco também abordou a questão da “Liderança”, com uma visão similar. O que ainda não está claro para mim é como a sociedade conseguirá se estruturar, principalmente em processos produtivos, sem um “elemento guia” nos moldes atuais (líder). Em outras palavras, como o “builder” conseguirá canalizar esforços sem se tornar um “líder obsoleto”.Vou tentar entender um pouco mais com o @umairh (não o conhecia), mas qualquer luz é bem-vinda! ;)Grande abraço!

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