streams autônomos temporários: que nossas bolhas sejam eternas enquanto durem

no final dos anos 90 eu estava morando em montreal, tentando aprender a fazer vídeos com o louis veillette (Synergie), viajando de carro pra nova iorque com a dj maus e trabalhando na ampliação da rede social de couchsurfing do patrick pulsinger (entre outras coisas).
éramos lideranças da cena eletrônica nos anos 90 e o digital estava em tudo e todos os lugares. não tínhamos a menor ideia do que estávamos fazendo, mas o fato é que ali estava sendo alterada a cultura de toda uma geração. inadvertidamente, a partir de novos padrões de comportamento e estética, toda uma nova cultura foi surgindo e se tornou isso que chamamos de AGORA.
lembrando que agora só é agora porque já era naquela época. era social naquela época, e continua sendo social agora.
todo movimento cultural, cada grande mudança cultural vem das interações sociais.
e aqui estamos nós outra vez: mudança tecnológica = mutação cultural e social. tão século 20…
de volta para os anos 90: aqui temos o conceito de TAZ (zonas autônomas temporárias), de Hakim Bey – que foi (ainda é) a idéia por trás dos espaços sociais que aparecem e desaparecem e assim desafiam as fronteiras da sociedade sólida – normalmente através de expressões da contracultura, como raves e festivais de arte.
os noughties (anos 00) começaram a adicionar algumas camadas extras ao conceito de TAZ.
temporários e autônomos agora não são apenas as “zonas”, mas sim os fluxos e os streams.
nestes novos TAS (Streams Autônomos Temporários), as mutações culturais acontecem sem parar, entre e através de netweavers, espaços e (a)temporalidades.
cenas em redes sociais são feitas por aqueles capazes de prever cenários. e cenários não passam de mutações culturais emergentes através das quais tendências se tornam realidades.
o que me leva ao ponto:
cada cena cultural é uma bolha, e cada cenário cultural mede bolhas.
entretanto…
scenesters das redes sociais – alegrai-vos!
esta não é uma coisa ruim.
lembre-se de que uma bolha tem forma afinal de contas, e que essa forma é de uma esfera autônoma temporária que é altamente bem-sucedida em atravessar ambientes de fluxos.
que nossas bolhas sejam eternas enquanto durem.